Daniel Simões de Carvalho
Ontem, Hoje e Amanhã.
Vi um lugar cercado por muros,
Onde o chão e as casas eram feitas de pedras,
Que me feriram ao longo da vida.
Vi lá, bem no meio de tudo,
As pessoas malditas que conheci.
E de repente, o tempo voltou.
As dificuldades que passei,
As situações embaraçosas,
As besteiras que fiz,
Os rancores antigos...
Tudo de ruim estava nesse lugar.
Estavam todos lá, de mãos dadas,
Fazendo uma roda.
Só que era eu quem estava no meio.
Como dói lembrar,
Do lugar terrível escondido,
Lá no cantinho do peito.
Pôxa...e como dói!
Que direito tenho,
De esvair minha vida,
Minha própria alma,
Com tais lembranças?
Caí num buraco sem fim,
Cavado por mim e coberto pelo passado.
Acorrentei-me ao que se foi,
Tornei-me escravo, não dele,
Do passado,
Mas de mim mesmo.
Será que posso viver do passado,
Viver nas trevas,
Alimentar-me de tristeza, ódio, rancor
E ver um mundo que não valha a pena?
Esse lugar terrível,
Como se estivesse vivo,
Mostrando o ontem
Como se fosse hoje.
Sabe lugarzinho miserável,
Hoje eu converso com você!
Não adianta fugir,
Não adianta enganar.
Bem sei que não posso te matar,
Mas a partir de hoje, te abandono,
Te deixo sem vida,
Sem sentido.
Minha alegria é a sua ruína,
Meu perdão é a sua forca.
Meu passado, você já era!
Suas trevas não me assustam mais,
Pois minha luz brilha e te ofusca.
Sua força, que é a tristeza, o ódio e o rancor,
Não diz mais nada,
Pois o meu perdão é maior.
Que venha o Sol e brilhe,
Iluminando o meu novo caminho
E minha nova vida.
Ao passado eu digo:
- Você já se foi.
Ao futuro:
- Você virá.
Ao presente:
- Eu te vivo!
Escrita em 28/03/95 - Curitiba - PR
Autor: Daniel Simões de Carvalho