Daniel Simões de Carvalho

 

Lendas Curitibanas.

 

 No bar, pensando na vida,
Entre um trago e outro,
Uma fumaça e outra.

As flores não entregues,
A deitarem sobre o balcão.

 

Único neste mundo,
Reclamando a si,
As mazelas da vida.

Entrou uma mulher,
Presença marcante.

Parecia carregar uma luz,
Iluminou-me por dentro,
Me senti outra pessoa.

Um sorriso singelo.
Boa noite! Disse ela.

Pediu uma bebida,
Quieta em seu canto,
Dispensou todos ao seu redor.

Cheguei aos poucos,
Conversei com calma.

Foi educada, retribuiu,
Com sorrisos inebriantes,
Falava do sofrido caminho.

Que jamais encontraria,
Outro amor em sua vida.

Cristais vertiam de seu olhar,
Rosto enruborecido pela raiva,
Entre seus dedos, uma foto a amassar.

Seu sonho a abandonara,
O mundo jamais seria o mesmo.

Lamúrias e lágrimas,
Tristezas sem fim,
Olhares que queriam uma resposta.

Através do teto,
Parecia questionar o universo.

Perguntava a mim,
Porque isso? O que fiz?
O silêncio era absoluto.

Seus lábios trêmulos,
Um olhar longínquo.

Suspiro profundo,
Como fôlego quisesse tomar.
Merda de vida!

Tocou em meu braço,
Sorriu e enxugou suas lágrimas.

Desculpou-se de seus desabafos,
Não estaria bem naquela noite,
Ficou feliz em encontrar alguém.

Despediu-se com um beijo,
Um sorriso e foi-se embora.

Minha vida jamais será a mesma,
Retorno ao mesmo local,
Anos após anos.

Nunca mais vi aquela luz,
Que me iluminou por inteiro.

Novas flores, ao balcão descansar,
Jamais esquecerei daquele olhar,
Cristais de lágrimas a tilintar.

 

Escrita em 01/07/2009 - Curitiba - PR

Autor: Daniel Simões de Carvalho