Daniel Simões de Carvalho
Vestidos Rodados de Saturno.
Quando te vi,
Seu corpo rodopiou,
A seguir, seu vestido.
Tais rendas tecidas,
Como fossem anéis.
Torciam e se abriam,
Mostravam sua excelência,
Movimentos e brilhos.
A suavidade em seus gestos,
O reflexo das luzes em seu olhar.
Apreensivo em me aproximar,
Discos cortantes, impiedosos,
Graciosos movimentos.
Espero a música cessar,
Assim, me aproximar.
Mulheres rendeiras de Saturno,
Ouvindo a música da peça,
Teceram o vestido dos céus.
Cantando em uníssono,
Lendas de paixão e amor.
Disseram que apareci em Marte,
Que você brotou em Vênus,
Mas seu vestido é de Saturno.
Olhar fixo, movimentos mágicos,
Uma declaração, sorriso encantador.
Roubo os sete anéis,
Ofereço-lhe uma aliança.
O sentimento de nudez,
Tirei as suas vestes,
Mostrei meu coração.
Se ainda quiser,
A música continua.
Girem os sete anéis de Saturno,
Viva o som intensamente,
Retire-se ao camarim.
Olhe-se no espelho das luzes,
Angústia e solidão.
Quanto vale uma platéia,
Se o coração é vazio?
Rendas de Saturno...
Doces ilusões de uma vida,
Amores incompreendidos.
Acaba a música,
Descem as cortinas,
Encerra a paixão.
Escrita em 27/08/2009 - Curitiba - PR
Autor: Daniel Simões de Carvalho