Daniel Simões de Carvalho
Ao Senhor Tempo com Carinho.
Ah tempo...
Me largou só,
Ao relento...
Me agarrava a você
Com medo de acabar,
E nas horas de desespero,
Algumas vezes,
Tentei acabar com você.
Tempo nefasto,
Não se anuncia
Nem se despede.
Por vezes só acontece,
Outras não.
Já foi infinito,
Quando não era para ser.
Já foi breve,
Quando não era para ser.
Tempo, tempo...
Tormenta que foi.
Tempestade violenta,
Que quase me afundou.
Por muito fiquei à sua mercê,
Ao sabor dos quatros ventos,
Bebendo o veneno,
Destilado por você.
Não passarei minha vida
Satisfazendo seu sarcasmo,
Esperando...Aguardando...Morrendo.
Já escutei demais suas risadas,
Suas soluções sem saídas.
Já senti demais suas carícias,
Que me rasgavam e me apodrecia.
Ah tempo...
Da espera,
Me conduziu à rotina,
Fazendo todos os meus dias iguais.
Pois saiba,
Que viverei todos os meus dias,
Bons ou ruins,
Fazendo-os diferentes,
A cada instante.
Hei de beber desta vida,
O amor e alegria,
E me embriagar...
De pôr em pôr do Sol,
Vemos todos eles diferentes,
Sempre belos,
De magnitude infinita,
Assim como deve ser a vida.
Já era hora de acordar,
Abrir os olhos do coração,
Trancados dentro do peito.
Ah tempo...
Até meus olhos você cegou
E minha chama quase apagou.
Sua hora já passou,
Seus minutos já foram contados
E seus segundos enterrados.
Abandono aqui,
A insegurança que me deu,
A incerteza que me presenteou
E a solidão que me fez beber.
Visto uma roupa nova,
Que finge que não vê.
Bem sei que te cega,
Pois agora vou me deliciar com você,
Te aproveitar, te sugar,
Te ressecar.
Tenho amigos para amar,
Tenho um amor para viver
E nada mais importa.
Escrita em 22/07/93 - Santo Antônio da Platina - PR
Autor: Daniel Simões de Carvalho